27/07/2018

29 de julho é o dia do batom, este superpoderoso: de místico arsenal de sedução, ele passou a ser ferramenta de autoestima e confiança

Tem quem acredite que ele tem mesmo o poder de mudar vidas. Tipo eu, esta humilde jornalista, fundadora deste blog e entusiasta dos lábios vermelhos. Kylie Jenner, do clã Kardashian, testemunhou recentemente em várias publicações que decidiu abrir a sua empresa de cosméticos baseada no poder que sentia ao passar batom: “Eu não gostava dos meus lábios e foi o batom que me ajudou a me sentir mais confiante. Eu sinto que as pessoas podem ver que isso é autêntico e funcionou!”. E como funcionou! Hoje, a mina é uma das milionárias mais novas do mundo! Os “culpados”? Os seus “lip kits“, contendo um batom líquido e lápis para boca, produto que lançou a empresa, em 2016. Desde então, vendeu mais de US$ 630 milhões em maquiagem.

Mas de onde vem este desejo por bocas pintadas?

Por volta de 1350 a.C., Nefertiti, rainha do Antigo Egito, já usava batom. Ela é a glamorosa da imagem de destaque desta matéria. O dado é o mais remoto que se tem sobre o costume de adornar os lábios. As imagens da lendária egípcia atestam que as nobres dominavam a técnica com notável eficiência. Naquela época, o batom era feito à base de sangue de besouros. Aqui vale o adendo de que o primeiro que surgiu foi o vermelho, esse lindo! Ou seja, por essência, o batom é vermelho, todas as outras cores são variações, surgiram como alternativas de uso.

 

O busto de Nefertiti exposto no Museu de Berlim

 

Depois de Nefertiti, o grande ícone feminino de batom foi Cleópatra, outra rainha do Egito que embaralhava, apaixonava and contagiava soldadões! Todo o primeiro escalão dos exércitos invasores de Roma – Júlio César e Marco Antônio incluídos – provou do veneno vindo dos lábios matizados de Cleópatra. Naquela época, o batom estava sendo produzido a partir de uma fórmula com resinas púrpuras de uma árvore e uma substância brilhante encontrada nas escamas de certos peixes do Nilo, o que resultou em um produto rico em ácido. Mulheres e homens pegaram doenças infecciosas. Por este motivo, o nosso querido ficou conhecido por um tempo como “O beijo da morte”.

O batom, como a vida, também teve altos e baixos e, no século XVI, começou a ganhar mais popularidade. Na Inglaterra, a rainha Elisabeth I, modernosa e com autoestima para dar e vender, inspirou a moda dos lábios vermelhos decorando uma face tão empoada como a de uma gueixa oriental. Claro que pegou! (realeza, né, mores?). Porém não era moda para todas. Apenas as mulheres da classe alta e atores masculinos usavam maquiagem.

 

Elizabeth I, a Rainha Virgem

 

Entretanto, durante vários séculos, usar algo para colorir os lábios foi um sinônimo de sensualidade e más intenções.

Na Grécia, no século II, as mulheres também usavam batom, mas só era permitido após o casamento. Com a alegação de que lábios pintados eram instrumentos de manipulação, instituíram uma lei que proibia o uso durante a solteirice. Uma injustiça, mas prova real de que o artefato labial, posteriormente embelezado com o nome afrancesado de bâton, confere uma atração imperiosa à mulher!

Tratado como um arsenal de sedução, em 1770, na mesma Inglaterra que a rainha Elisabeth I algum tempo atrás se exibia com os lábios vermelhos aveludados, o puritano Parlamento proibiu a prática.  A explicação era simples: moças que coloriam os lábios tinham um grande poder de sedução capaz de enganar os homens. As que mesmo assim usavam, as prostitutas e artistas, eram as subversivas da época. Incrível como as mulheres sempre são acusadas e punidas por seduzirem os homens! Eles são pobres vítimas?

Avançando bem no tempo, em 1912, as americanas mais avançadinhas e fashion adotaram o batom no dia a dia. Florence Nightingale Graham, fundadora da marca Elizabeth Arden, lançou um batom vermelho como símbolo da independência feminina e com mais 15 mil mulheres marchou pela 5ª Avenida defendendo o direito ao voto feminino. Muito interessante como o batom passou de “artimanhas preliminares ao amor” para símbolo de força e poder e grande aliado feminino.

Em 1921 a revista Vogue declarava que o batom, já em tubo, era o acessório de elegância que todas as mulheres de classe deveriam possuir.

O batom apoderou-se da imaginação feminina mais violentamente do que nenhum outro dispositivo da moda”, escreveu o escritor americano Alexander Black em 1923, oito anos após Maurice Levy inventar o tubo para vestir o acessório de beleza. Daí começou a ser chamado de “batom”.

O final dos anos 1940 e início dos anos 1950 ficou marcado pelo boom do batom. O químico americano Hazel Bishop criou o primeiro batom duradouro. E sob os cuidados de Max Factor, as atrizes americanas — entre elas, Rita Hayworth, Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor — popularizaram os lábios vermelhos vívidos. Assim, os lábios desejados das estrelas de Hollywood ajudaram a transformar o batom em produto de primeira necessidade feminina.

 

Marilyn Monroe totalmente diva com o seu “arsenal de sedução”

 

No ano passado, a Vogue brasileira escreveu em uma matéria online que “batom vermelho é item indispensável no nécessaire de maquiagem de toda mulher”.

Hoje comercializam-se, a cada dia, 3 milhões de unidades do cosmético.

 

Batom no copo: Nefertiti também fazia cerveja

 

Como vimos, Nefertiti sacudia o Antigo Egito com as suas bocas pintadas. Mas parece que a rainha também era suprema na arte de fazer cerveja. Vou explicar: em 1990, o arqueólogo Barry Kemp encontrou em terras egípcias o túmulo dela com dez barris de cerveja. Depois de pesquisas, descobriram que a rainha tinha uma cozinha secreta escondida no Templo do Sol, onde fazia cerveja. É ou não é um mulherão?

Uma equipe de arqueólogos da Universidade de Cambridge foi que descobriu os restos dos ingredientes que costumavam fazer a bebida naqueles tempos. Desta forma, entraram em contato com as cervejarias Scottish e Newcastle na Grã-Bretanha e eles criaram a Tutankhamun Ale, 6% ABV. A primeira garrafa foi vendida por R$ 17.994. Hoje, o preço já caiu para “míseros” R$ 225 a garrafa de 500 ml.

 

Fontes: Carta Capital, A Origem das Coisas, Chloé Gaya, Histórias de Tudo, O Que Vi do Mundo


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