16/05/2018

200 anos de Nova Friburgo: por que os cervejeiros TÊM que conhecer a cidade?

Nova Friburgo, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, está na boca e na rota do povo cervejeiro. Isto porque, desde agosto de 2014, as microcervejarias da cidade, assim como as de toda a Serra Verde Imperial, se beneficiam da lei sancionada pelo Governo do Estado para redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Dessa forma, as fábricas que produzem até 3 milhões de litros por ano de cervejas ou chopes artesanais que contenham, no mínimo, 90% de cereais maltados ou extrato de malte e que vendem até 200 mil litros por mês dos produtos têm abatimento na tributação: dos temerosos 25%, elas pagam 13%.

Além disso, em 31 de agosto de 2015, a Câmara Municipal de Nova Friburgo aprovou o projeto de lei 1.209/15. Desde então, as microcervejarias passaram a ter tratamento tributário diferenciado por cinco anos, pela instalação ou legalização destas empresas no município. As microcervejarias legalizadas têm 100% de desconto no IPTU e na taxa de emissão do alvará. Essas empresas foram incluídas, de acordo com o licenciamento ambiental vigente, no campo de baixo impacto. Áreas públicas para a comercialização de cervejas e chopes são disponibilizadas, ficando garantida a participação em eventos de grande porte que sejam promovidos ou patrocinados pela Prefeitura. Como forma de fomentar ainda mais o setor está prevista no projeto a criação da “Festa da Cerveja Artesanal de Nova Friburgo”.

O resultado do benefício é bem legal também para nós, consumidores finais. Na época em que a lei foi sancionada, apenas as cervejarias Barão Bier, Ranz e a extinta Rocky Valley estavam no caminho para se legalizar. Hoje, a cidade conta com mais de dez cervejarias. Segura algumas aí: Barão, Ranz, Angels & Devils, VegBier, Alpendorf, Dual, Matumbier, Buzzi, Vieja Escuela, Capitão Bock, Born2Brew, W-Kattz, Pontal, Sunshine, Surreal.

 

Em visita recente à Angels and Devils. O lindo visual pode ser contemplado na varanda da casa onde fica a cervejaria. As visitas acontecem 1 vez por mês

 

Em 2013, na Cervejaria Ranz, na Praça do Lago, em Lumiar. A visita vale pelo ambiente hiper agradável próximo à natureza e ótimas cervejas

 

Outro diferencial desta galáxia recheada de cervejas artesanais está na plantação de lúpulo. Sim, Nova Friburgo vem se destacando na produção da matéria-prima. A iniciativa foi tomada pelo veterinário Paulo Celles, que decidiu plantar no seu sítio em Amparo para usar na produção de sua própria cerveja. Ele começou com a variedade Cascade lá nos idos de 2016 e hoje já cultiva outras 14. Atualmente, o distrito de Amparo, a 14 km de Nova Friburgo, conta com 13 produtores de lúpulo com produção em crescimento. É verdade que fazer uma cerveja com um lúpulo local dá diferença, mesmo que sutil, na bebida, porque sempre haverá o “terroir”.

Hoje, dia 16/05, a cidade completa o seu bicentenário. E, naturalmente, não podem faltar cervejas entre as homenagens. A história de sucesso entre Nova Friburgo e a cerveja não é recente, ela remonta de cerca de 150 anos atrás, com a sua primeira cervejaria, a Friburgo Braun, que depois passou a se chamar Beauclair. Mas estes são lúpulos passados, e aqui nos concentraremos no cenário atual.

Para festejar, as cervejarias Dual e Angels & Devils se uniram ao Defumados Friburgo e desenvolveram uma Smoked Porter graciosamente nomeada de Fumaceira. A inspiração surgiu das origens da cidade, remetendo às primeiras terras vendidas a colonizadores suíços. A sede da colônia se chamava Fazenda do Morro Queimado. Daí “Fumaceira”. A cerveja criada é escura e tem um toque de defumado no aroma e no sabor.

 

A Barão Bier também fez a sua homenagem cervejeira: a Fribourg, uma coffee beer com cereja. Trata-se de uma cerveja escura que leva chocolate ao leite e café torrado.

 

 

No campo da curiosidade, aqui ficam alguns festejos que aconteceram na comemoração de 100 anos de Nova Friburgo, em 1918, retirado do site “Descubra Nova Friburgo”:

“No campo da sociabilidade foi realizado um torneio de tênis no Friburgo Lawn Tennis Club e à noite os jogadores ofereceram um chá dançante nos salões do Hotel Central. Nas soirées particulares dançava-se tango e valsas, com recitação de monólogos e cenas cômicas. Foi oferecido na Praça Getúlio Vargas pelas famílias friburguenses um almoço para 130 “pobres” e o Cinema Leal disponibilizou uma sessão gratuita logo em seguida ao almoço. Na alameda dos eucaliptos foram igualmente realizadas corridas de bicicletas. À tarde, formou-se imponente préstito composto de escolas, senhoras da elite e grande número de pessoas que, acompanhadas por três bandas musicais, percorreram o centro da cidade em busca de óbolos para instituições de caridade.

Os rapazes do Tiro de Guerra, do Colégio Anchieta e pequenos escoteiros marcharam com garbo pela Praça Getúlio Vargas. A festa veneziana no Rio Bengalas foi o ponto alto dos festejos. O rio foi represado na altura do Colégio Modelo para que se tornasse navegável e os barcos pudessem circular. As sociedades musicais foram responsáveis pela festa e na extensão da avenida se revezavam as bandas de música Euterpe, Campesina, Pérola Salinense (Salinas), Euterpe Lumiarense, Recreio Infantil, de Amparo, Corpo Militar do Estado, Pena de Ouro, de Cachoeiras de Macacu, Nova Aurora e a banda do Colégio Anchieta. Pelas águas do Bengalas deslizavam placidamente elegantes barquinhos cujo embarque era disputadíssimo. Às 23h subiram ao ar os primeiros foguetões que acompanhavam um balão, prenúncio de que se aproximava a hora de serem queimados os fogos de artifício. O fogo terminou com um artístico vulcão cujas centenas de foguetões produziram maravilhosa impressão. A avenida apresentava um aspecto feérico com um brilhante conjunto de luzes”.


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