02/03/2018

O desfile de Inverno 2018 da Dior e a cervejaria feminista Maria Bravura

Nunca se discutiu tanto o empoderamento feminino como nos últimos tempos. Milhares de pessoas, anônimas e famosas, têm manifestado publicamente as suas ideias a favor das mulheres, colocado a boca no trombone, arregaçado as mangas e ido à luta para conquistar mudanças reais na sociedade.

Desde que assumiu o posto de diretora criativa da Dior, Maria Grazia Chiuri tem usado a moda como ferramenta de empoderamento. Aliás, bom ressaltar aqui que ela é a primeira mulher no comando da maison em seus 70 anos de existência. No mais recente desfile, em janeiro passado na Paris Fashion Week, a marca relembrou a segunda revolução do feminismo na França, ocorrida em 1968, um ano de protestos explosivos e de revolta que teve como berço a juventude francesa. O mesmo ano também foi marcado por protestos aqui no Brasil, que vivia o AI-5 e que entrava na pior fase da ditadura militar.

 

 

Mas voltemos para o lindo desfile da Dior: não à toa que a coleção foi inspirada nas revoluções de maio de 1968, já que esse ano comemoram-se os 50 anos do movimento. Ironicamente, os anos 60 foram um período da história em que a label foi amplamente criticada pela silhueta do New Look.

 

No Musée Rodin, o cenário forrado do chão ao teto por colagens de panfletos de protestos e artigos sobre a luta pelos direitos das mulheres da época abrigou a apresentação dominada pelo mood 60’s. Maria Grazia escolheu incorporar os elementos que deram continuidade ao Youthquake (palavra criada pela lendária Diana Vreeland para caracterizar os protestos feministas, políticos e sociais armados por jovens do mundo inteiro em 1968 e escolhida pelo dicionário Oxford como a palavra de 2017), como o movimento hippie e de contracultura, com muito patchwork, peças soltas e transparências que faziam alusão à liberdade feminina e óculos coloridos que lembravam os preferidos de Janis Joplin. Desta vez, o modelo não tem armação na frente e vêm em dois formatos: quadradinhos e estilo wayfarer.

 

Dior inverno 2018 (Foto: Acervo Glamour)

Dior inverno 2018 (Foto: Acervo Glamour)

 

Falando de tendências, o xadrez apareceu com força em blazerskilts e saias de tule. Kilts, aliás, foram outro ponto forte da coleção e vieram em diversos comprimentos, editados com camiseta podrinha, jaquetas boyish e maxi suéteres. A inspiração surgiu do uniforme escolar, já que os protestos eram liderados por estudantes. O uniforme também foi recurso de Maria Grazia para simbolizar uma ponte de união.

 

Dior inverno 2018 (Foto: Reprodução)

 

patchwork colorido com shape 70, mas usado fora do registro folk, foi outro destaque e apareceu em casacos, jeans e fazendo contraponto com rendas vitorianas. A técnica de costura, que lembra muito a usada pelas nossas avós para fazer colchas e até capas de butijão de gás, foi um dos highlights da exibição. Porém, aqui os retalhos coloridíssimos são elegantérrimos.

 

Dior Inverno 2019 (Foto: Reprodução)

 

Gianfranco Ferrè, designer que comandou a maison de 1989 a 1997, foi a inspiração para as transparências. Elegeu as capas e parkas militares e metálicas que criavam um contraste interessante com os jeans da passarela.

 

Dior Inverno 2018 (Foto: Getty)

 

O foco na mulher e em certos momentos do feminismo está no centro de tudo. MGC mistura suas reflexões com peças em que o aspecto artesanal, o trabalho humano, está sempre presente.

 

Lembra-se do modelo de bolsa Saddle, que foi hit nos anos 2000 quando a Maison era comandada por John Galliano? A Dior relançou o modelo e ele foi o highlight da coleção de acessórios. Reeditada, a bolsa veio na clássica estampa oblique, mas também em outros materiais e cores.

 

Dior inverno 2019 (Foto: Gerson Lirio / Fashion To Max)

Dior inverno 2019 (Foto: Getty Images)

 

Em uma visão geral do desfile, o “recorte e cole” que ocupou o cenário e passou para os looks através da sugestão do patchwork, traduz a proposta de Maria Grazia Chiuri para as mulheres. Como explicou a etiqueta, “é a liberdade para se reinventar e escolher sua própria imagem como bem entender!”.

 

 

Feminismo líquido – Conheça a cerveja feminista

 

O manifesto feminista ganhou o mercado cervejeiro em junho de 2016, com a fundação da Cervejaria Maria Bravura. A ideia de unir o nome Maria, popular e simples no Brasil, ao adjetivo de bravura (entenda: diferente de braveza, bravura é força e coragem!), surgiu com a proposta de disseminar a luta das mulheres pela igualdade, liberdade e respeito.

 

A Maria Bravura tem três rótulos: a Oma (Pilsen), a Arqueira (Lager com adição de manjericão) e a Desbocada (IPA com toque de maracujá).

 


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