26/01/2017

Berço da cultura cervejeira, Egito serve como inspiração para desfile de alta-costura de Elie Saab

Divas do Nilo! As estrelas da música e do cinema egípcios entre os anos 40 e 60, como Oum Kalthoum e Faten Hamama, inspiraram o desfile de alta-costura de Elie Saab para a primavera verão 2017. O estilista libanês costuma criar vestidos com ar cosmopolita (o que faz dele um dos preferidos das celebridades para cruzar o tapete vermelho), mas nesta temporada apresentada na Semana de Alta–Costura ele quis homenagear as mulheres árabes. 

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Oum Kalthoum

 

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Faten Hamama

 

O resultado são looks glamorosos, ora com toques egípcios, ora com mil brilhos que elas amam. Não faltaram tecidos encorpados, transparências e bordados riquíssimos como é usual na proposta do estilista, mas desta vez com motivos orientais, como estrelas, palmeiras e a caligrafia árabe aplicados sobre tule.

 

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A fluidez dos vestidos em musselina em tons de cinza, azul e rosa lembra as mudanças do Rio Nilo ao longo do dia. Mas não se engane: além de princesas, Elie também foca nas rainhas.

 

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A noiva surgiu lindamente com bordado champagne e véu arredondado na cabeça.

 

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Será que veremos um destes vestidos na premiação do Oscar?

Certo é que Elie Saab sempre consegue me deixar de queixo caído.

 

Ê faraó!

O setor da moda está se rendendo aos encantos egípcios, mas com o mundo cervejeiro essa relação vem de longe. A velha e boa breja faz parte da dieta do homem desde os tempos dos faraós. No antigo Egito, sua utilização ia muito além de apenas matar a sede e alimentar a alma. Muitas vezes a cerveja era prescrita para tratar doenças. Naquela época, na verdade, era muito mais seguro beber cerveja do que água, pois a cerveja era fervida, eliminando assim um grande número de bactérias.

Considerava-se a cerveja o presente mais adequado para se dar aos faraós egípcios e também era oferecida aos deuses.

A importância da fabricação da cerveja era tal que os escribas tinham hieróglifos específicos para se referir a cervejeiro e cerveja. Através da escrita desses hieróglifos, os arqueólogos conseguiram traçar as raízes da cerveja no antigo Egito. Havia também muitas representações nas paredes das tumbas sobre a bebida, e por isso sabemos que a cerveja era importante tanto para os vivos quanto para os mortos, no pós-vida.

Cada templo possuía uma cervejaria e uma padaria, que produziam grandes quantidades de cerveja e pães ofertados aos deuses. A cerveja era armazenada em jarros e, segundo alguns estudiosos, seria parecida com a cerveja que é produzida no Sudão. Os “canudos” foram usados nessa época para evitar que os resíduos da cerveja ficassem na boca, por serem amargos. Veja abaixo uma pintura que mostra bem a utilização de canudos.

 

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Mercenário sírio tomando cerveja ao lado de sua esposa egípcia e seu filho – Pintura datada da 18ª dinastia.

 

Escavações próximas à Grande Pirâmide no complexo de Gizé revelaram que padarias e cervejarias foram instaladas ali, porque tanto o pão quanto a cerveja eram necessários para os trabalhadores que construíram as pirâmides, já que, segundo algumas teorias, frequentemente eles eram pagos com pão e cerveja.

O processo de fabricação de cerveja era algo simples. Deixava-se o grão da cevada ao sol até que germinasse, depois ele era esmagado e virava o malte, que por sua vez era misturado com farinha de pão. Depois, água era adicionada a essa mistura que, logo em seguida, era posta no fogo até que estivesse no ponto para depois ser filtrada e armazenada.

 

Origens

Há mais de 10 mil anos o homem conheceu o fenômeno da fermentação e obteve em pequenas quantidades as primeiras bebidas alcoólicas. Algumas evidências mostram que a produção de cerveja originou-se na região da Mesopotâmia, onde a cevada crescia em estado selvagem. Estima-se que os primeiros registros da fabricação de cerveja datam de seis mil anos e remetem aos Sumérios. Eles aperfeiçoaram o processo e posteriormente foram reconhecidos como a primeira cultura civilizada a produzir cerveja. Após a queda do império sumério, os babilônios incorporaram sua cultura e, consequentemente, o processo de fabricação de cerveja. Embora estivessem a centenas e centenas de quilômetros do Egito, a cerveja babilônia acabou chegando à terra dos faraós, que logo aprenderam a arte de fabricar a bebida. No entanto, segundo as crenças da religião dos faraós, a cerveja foi apresentada ao povo egípcio pelo deus Osíris.

A cervejaria mais antiga de que se tem conhecimento foi descoberta recentemente por arqueólogos no Egito. Ela data de 5.400 anos a.C. e produzia vários tipos de cerveja. No Egito, a cerveja tornou-se bebida nacional; sua fabricação era basicamente feita por sacerdotisas dos templos dos deuses e era utilizada na medicina, entrando na fabricação de mais de 100 medicamentos. Ainda hoje é fabricada no Egito uma cerveja rústica chamada Bouza, feita com massa de cereais. Para incrementar a bebida, os egípcios costumavam adicionar tâmaras, gergelim e mel. As cervejas faraônicas do antigo Egito possuíam teor alcoólico mais baixo que as atuais e não eram tão encorpadas. Ainda que o Egito seja um país islâmico, sua produção alcoólica é significativa. O grupo Al Ahram Beverages Company detém toda a produção e exporta para vários países da Europa.

 

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Inscrições em hieróglifos e obras artísticas testemunham o gosto deste povo pelo henket ou zythum, apreciado por todas as camadas sociais. Até um dos faraós, Ramsés III (1184-1153 a.C.), passou a ser conhecido como “faraó-cervejeiro” após doar, aos sacerdotes do Templo de Amon, 466.308 ânforas ou aproximadamente um milhão de litros de cerveja provenientes de suas cervejeiras.

 

Comprando cerveja no Egito

Quer honrar as tradições brasileiras sem desrespeitar o Islã? Peça para o funcionário do hostel ou hotel em que você está hospedado comprar para você. A comprar não é ilegal, só não é bem vista pelos mais conservadores. Nas regiões turísticas de Dahab e Sharm el Sheik o consumo é livre.

Aliás, gorjeta é um modo de complementar seus baixos salários, então você vai ouvir “tips” a todo momento. Ande com bastante trocado para ajudar a economia local.

 

A cerveja de Tutankamon

A produção de cerveja egípcia pôde ser conhecida por nós através das cenas pintadas nas paredes de certas tumbas. Colocavam, na água quente com trigo triturado, pedaços de pão de cevada ou de trigo mal cozidos, pois perceberam que assim alguma coisa acontecia em benefício do que sabemos hoje ser a fermentação. Então, filtrava-se o líquido espesso e deixava-o descansar em jarras de cerâmica.

Este método é ainda seguido, com algumas adaptações, no Egito, dando origem a uma cerveja mais rústica chamada de Bouza. Ao lado dessa técnica ancestral, a Scottish & Newcastle Brewery tentou reproduzir, em 1996, uma cerveja faraônica: a Tutankhamun Ale, fruto de uma parceria desta cervejaria com arqueólogos do departamento de exploração egípcia da Universidade de Cambridge. O ponto para a receita esteve na descoberta da cozinha do Templo ao Sol da rainha Nefertite, esposa de Tutankamon (século XIV a.C.). A partir daí, examinaram resíduos em jarros de produção, decifraram hieróglifos e escavaram mais de 10 salas de produção de cerveja.

 

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Outro exemplo de como as pesquisas históricas podem enriquecer nosso repertório de degustação veio do Japão. A cervejaria Kirin, em associação com um egiptólogo da Universidade de Waseda – Tóquio produziu, em 2002, a cerveja Antigo Reino. Esta possuía uma receita historicamente anterior à outra em pelo menos 1.000 anos, a qual contou com bactérias lácticas para proporcionar o amargor desejado, desdobrando-se também em um sabor mais ácido.

 

As cervejas ancestrais eram gostosas?

Certamente não temos um parecer de quão próximas das cervejas antigas estas estiveram, pois as percepções que temos dos gostos dos alimentos e dos líquidos passam pelas lentes culturais. O sabor de alguma coisa pode ser generalizável dentro de um referencial, mas o gosto que sentimos é mais particularizado. Não só culturas diferentes como também épocas diferentes possuem referenciais distintos para o que sentem do contato gustativo de um mesmo alimento.

Prova disso, em um recorte mais preciso, é o próprio amadurecimento gastronômico pelo qual passamos ao entrar em contato com a diversidade cervejeira existente: lembra-se da primeira sensação que teve ao degustar uma India Pale Ale? E hoje, como é essa sensação, é possível qualifica-la em relação à experiência primária?

É por essas e outras que tais receitas não chegaram a ter uma expressiva produção, tampouco uma tentativa de entrada competitiva no mercado cervejeiro. Pela curiosidade em degustá-la, merecia o investimento (a Tutankhamun Ale chegou a vender uma edição limitada em 1.000 garrafas), mas não seria sustentável para uma cervejaria. Seu gosto, bem como seu próprio visual e aromas, não seriam, talvez, bem recebidos pelos humanos do século XXI.

 

Fontes: Vogue Brasil, Caderno Ela, Lilian Pacce, BeerLife, Papo de Homem e Brejas


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